Ministério da Cultura lança página do Plano Nacional do Livro e Leitura com painel interativo e acesso a políticas do setor

OMinistério da Cultura (MinC) lançou, nesta quarta-feira (23), a nova página do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), reunindo em um único ambiente digital informações, programas e instrumentos voltados ao fortalecimento do livro, da leitura, da literatura, da escrita e das bibliotecas no Brasil. A iniciativa reforça o compromisso do Governo do Brasil com a transparência e com a ampliação do acesso às políticas públicas do setor. Logo na página inicial, o usuário encontra uma apresentação do Plano, conduzido pelo Ministério da Cultura em articulação com o Ministério da Educação (MEC), destacando seu papel como instrumento de gestão que orienta princípios, diretrizes, objetivos e metas para o desenvolvimento da leitura no país. A navegação foi organizada em áreas temáticas que facilitam o acesso aos conteúdos. Entre os destaques estão as seções Políticas e Programas, que reúne iniciativas do MinC e do MEC vinculadas ao PNLL; Legislação, com normas e marcos legais da área; Guias e Cartilhas, com materiais orientativos para implementação das políticas; Colegiados, que apresenta a composição e informações sobre as instâncias responsáveis pela governança do Plano; e Perguntas frequentes, com conteúdos de apoio ao público. Monitoramento e dados Outro destaque da página é o painel interativo de dados, disponibilizado em formato de Business Intelligence (BI), que apresenta informações sobre os investimentos realizados na área do livro e leitura no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura. A ferramenta permite visualizar, por exemplo, como os recursos estão sendo aplicados em diferentes estados e capitais, detalhando editais, valores investidos e tipos de ações fomentadas. A coordenadora-geral do Plano Nacional do Livro e Leitura, Andressa Marques, destaca que a iniciativa busca fortalecer a presença das políticas públicas nos territórios. “O painel é uma forma de dar visibilidade às políticas culturais de livro e leitura nos territórios e estimular os gestores a investir cada vez mais recursos da Aldir Blanc nessa área”, afirma. O painel reúne dados do primeiro ciclo da política e indica um investimento de cerca de R$ 67,5 milhões direcionados especificamente ao livro e à leitura, considerando estados e capitais. A partir da ferramenta, é possível identificar iniciativas como apoio a feiras literárias, circuitos culturais, fortalecimento de editoras independentes, ações em periferias e programas de incentivo à leitura em diferentes territórios. Retomada e fortalecimento Após um período de desatualização desde o ciclo anterior (2006–2016), a retomada do Ministério da Cultura, em 2023, recolocou a construção do novo Plano como prioridade. A execução do PNLL envolve, além do MinC e do MEC, instâncias colegiadas responsáveis por sua governança. O secretário de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura do Ministério da Cultura, Fabiano Piúba, destaca o processo de construção do novo Plano e a articulação entre diferentes esferas de governo. “Em dezembro de 2024, o presidente Lula, juntamente com a ministra Margareth Menezes e o então ministro Camilo Santana, assinaram o decreto da Lei Nº 12.166, de 5 de setembro de 2024, que trata da Política Nacional de Leitura e Escrita. Esse movimento trouxe para os dois ministérios uma agenda intensa de trabalho na construção do novo Plano Nacional do Livro e Leitura, estabelecendo um conjunto de metas e ações para os próximos dez anos”. Ele também ressalta ainda o caráter participativo e o papel da nova plataforma como ferramenta de gestão e transparência. “Essa construção contou com ampla participação social, com seminários regionais, presença em feiras, bienais e festas literárias, debatendo os eixos e objetivos do Plano. Agora, o PNLL conta com sua nova página, um verdadeiro painel interativo de acesso às políticas de fomento e promoção do setor, além de monitoramento e produção de dados, elementos fundamentais para o aprimoramento das políticas públicas e para a construção de uma nação de leitores autônomos, críticos e criativos, em uma ação federativa com estados, municípios e a sociedade brasileira”. O diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas da Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura do MinC e secretário-executivo do PNLL, Jéferson Assumção, ressalta a importância do Plano para a organização das políticas públicas no setor. “O PNLL é um instrumento fundamental de política pública para a área do livro e da leitura. Com ele, em vez de ações isoladas, temos a articulação de políticas nacionais, programas, projetos e ações com um objetivo comum: fazer do Brasil um país de leitores. A versão atual do PNLL 2026-2036 atualiza a atuação do Estado e da sociedade neste campo, em um contexto de intensas mudanças tecnológicas, culturais e comunicacionais. Nesta sua nova versão, traz, de maneira colaborativa e participativa, eixos de atuação, objetivos e metas para ampliar a leitura no Brasil, desenvolver a economia do livro, colocar o livro e a leitura em destaque no imaginário coletivo, ampliar o acesso ao livro e promover a formação de leitores”, afirma. Com o lançamento da nova página, o Ministério da Cultura amplia o acesso público às informações do Plano, fortalece a integração entre políticas, dados e participação social e contribui para consolidar uma sociedade leitora no Brasil.
Vencedores do Prêmio Vivaleitura serão conhecidos no Dia Mundial do Livro. Veja quem são os finalistas

Foto: Acervo – Casa Amarela Biblioteca Nesta quinta-feira (23), Dia Mundial do Livro, serão conhecidos os vencedores do 9º Prêmio Vivaleitura, em cerimônia de entrega conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O evento será realizado às 17h, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília, com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e do ministro da Educação, Leonardo Barchini, e reconhece experiências de destaque e projetos de fomento à leitura em todo o país. Ao todo, 1.848 projetos foram inscritos nesta edição, distribuídos entre as categorias Bibliotecas Públicas, Comunitárias e Privadas; Escolas Públicas, Privadas e Bibliotecas Escolares; Práticas Continuadas em Espaços Diversos; Escrita Criativa; e Sistema Prisional e Socioeducativo. Confira os finalistas por categoria: Na categoria Bibliotecas Públicas, Comunitárias e Privadas, foram selecionados: o Projeto Moara: leitura do mundo e da comunidade, de Santa Maria do Pará (PA), iniciativa que fortalece bibliotecas comunitárias na Amazônia, promovendo pertencimento, formação de mediadores e valorização de narrativas locais; Lonas de contato – Biblioteca comunitária itinerante, de Ananindeua (PA), biblioteca móvel que leva leitura, mediação cultural e convivência a comunidades periféricas e rurais, ampliando o acesso ao livro; Vaga Lume: Implementação de três novas bibliotecas comunitárias em Novo Airão, de São Paulo (SP), expande bibliotecas em áreas rurais da Amazônia Legal, formando mediadores e fortalecendo lideranças comunitárias; Roedores de Livros: 19 anos de leitura, afeto e cidadania nos territórios periféricos do DF, de Brasília (DF), projeto consolidado que promove leitura em territórios periféricos com ações contínuas de mediação e formação de leitores; e Biblioteca Comunitária do Mercado de Icoaraci e Bibliotecas Ribeirinhas, de Belém (PA), iniciativa enraizada na comunidade que integra leitura ao cotidiano, valorizando saberes populares e cultura amazônica. Em Escolas Públicas, Privadas e Bibliotecas Escolares, os finalistas são: Sarau Literário CEMEIT, de Brasília (DF), projeto que estimula protagonismo juvenil por meio de saraus, integrando literatura, artes e pensamento crítico; Leituras Sentidas: Narrativas do Meu Lugar, de Boa Vista (RR), trabalha leitura sensorial e produção autoral, valorizando memórias e narrativas locais de estudantes; Biblioteca Falada: Conexões Culturais entre Jovens Rurais, de Riacho de Santana (BA), fortalece a biblioteca escolar como espaço de formação cidadã e protagonismo juvenil em áreas rurais; Projeto Toadas e Aboios: Na Pegada do Pertencer, de Sertânia (PE), valoriza a cultura sertaneja por meio da leitura e registro de tradições, fortalecendo identidade e memória; e Leituras Negras – Diálogos com as comunidades tradicionais, de Iraquara (BA), promove leitura de autores negros e indígenas com foco em identidade, arte e educação antirracista. Na categoria Práticas Continuadas em Espaços Diversos, foram selecionados: Projeto Narrativas Subterrâneas, de Camaçari (BA), incentiva a escrita de mulheres negras e periféricas, fortalecendo identidade, memória e novas autorias; Clube de Leitura Negra, de Arraias (TO), promove leitura e debate de autores negros, ampliando o letramento racial e o alcance das discussões; Leia Mulheres Indígenas, de Natal (RN), coletivo que fortalece o protagonismo de escritoras indígenas por meio da circulação de suas obras e ações culturais; Leitura na Esquina, de Paulista (PE), democratiza o acesso ao livro com bibliotecas móveis e ações culturais em espaços públicos urbanos; e O Voo Livre do Baobá das Letras, de Belém (PA), fortalece biblioteca comunitária com foco em literatura afro-amazônica, inclusão e acessibilidade. Já em Escrita Criativa, são finalistas: Lendo Histórias em Voz Alta, de Dias d’Ávila (BA), incentiva leitura em voz alta e produção autoral de crianças, valorizando oralidade e diversidade cultural; Bom Jardim das Pedras Encantadas: Uma Trilogia Literária e Educacional, de Bom Jardim (PE), integra literatura, memória e território em escolas, transformando comunidades em polos de leitura e criação; Autoria Indígena – Escrita Criativa Indígena de Abya Yala, de Ilhéus (BA), fortalece a escrita indígena e o protagonismo de povos originários na construção de narrativas próprias; Escola Latino-americana de Dramaturgias Emergentes, de Aparecida de Goiânia (GO), forma dramaturgos a partir de práticas comunitárias, ampliando vozes diversas na cena teatral; e Rapadurinha: Escritas que Encantam, de Florianópolis (SC), valoriza tradição oral e saberes ancestrais na formação de leitores e autores, especialmente entre crianças. Por fim, na categoria Sistema Prisional e Socioeducativo, foram selecionados: Livros Livres – Práticas de leitura para desenvolver e incluir pessoas privadas de liberdade, de Ribeirão Preto (SP), desenvolve clubes de leitura promovendo reflexão, autonomia e remição de pena; Projeto Escrevivências da Libertação, de Rio Branco (AC), estimula escrita criativa com foco em mulheres e diversidade, promovendo consciência e expressão; Histórias Além Muros, do Rio de Janeiro (RJ), incentiva leitura e escrita entre mulheres privadas de liberdade, com mediação literária e valorização de representatividade; A Leitura Liberta, de João Pessoa (PB), promove leitura como instrumento de ressocialização, com bibliotecas estruturadas e oficinas; e Programa Presídios Leitores, de Cruzeiro do Sul (AC), articula instituições para garantir acesso à leitura e remição de pena, impactando centenas de pessoas privadas de liberdade Prêmio Vivaleitura Criado para reconhecer experiências que impactam positivamente a formação de leitores, o Prêmio Vivaleitura se consolidou como uma das principais políticas públicas de estímulo à leitura no Brasil. Além de reconhecer iniciativas, a premiação fortalece redes, amplia a visibilidade das ações e contribui para o aprimoramento de políticas culturais e educacionais. “As práticas de leitura transformam vidas, ampliam horizontes e fortalecem a cidadania. O Prêmio Vivaleitura evidencia a potência dessas iniciativas espalhadas por todo o Brasil e reafirma o compromisso do Ministério da Cultura com o acesso ao livro e à leitura como direitos fundamentais”, destaca a ministra da Cultura, Margareth Menezes. As iniciativas vencedoras de cada categoria receberão R$ 50 mil. Os projetos classificados entre o segundo e o quinto lugar serão contemplados com R$ 15 mil cada, totalizando R$ 550 mil em premiações. A cerimônia de entrega ocorrerá no Centro Internacional de Convenções do Brasil, em Brasília. Com participação de todas as regiões do país, 782 municípios inscreveram projetos para a edição de 2025. Na distribuição por regiões, estados do Nordeste e do Sudeste concentraram o maior número de inscrições, com destaque para Bahia, Pernambuco, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Ministério da Cultura avança na qualificação cultural e no reconhecimento de mestres e mestras das culturas tradicionais e populares

Foto: Giba/ MinC OMinistério da Cultura (MinC) participou, nesta terça-feira (22), em Brasília (DF), do lançamento da Trilha Formativa em EAD de Gestão Cultural, iniciativa realizada em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Na mesma agenda, foi assinado um protocolo de intenções voltado ao reconhecimento de ocupações ligadas às culturas tradicionais e populares no Cadastro Brasileiro de Ocupações (CBO). A ação integra os esforços do Governo Federal para ampliar oportunidades de formação profissional, geração de renda e valorização dos trabalhadores e trabalhadoras da cultura em todo o país. A trilha formativa prevê 3.800 vagas gratuitas para o curso de Produção Cultural, composto por 12 cursos livres de 20 horas cada, ofertados na modalidade a distância. A ministra da Cultura, Margareth Menezes destacou que a iniciativa reafirma o papel estratégico da cultura no desenvolvimento social e econômico do Brasil. “Estamos construindo oportunidades concretas para trabalhadores e trabalhadoras da cultura. Qualificar, reconhecer saberes e ampliar direitos é fortalecer um setor essencial para a identidade e para a economia brasileira”, afirmou. A secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC, Márcia Rollemberg, que cumpre agenda internacional na Colômbia durante o VII Congresso Latino-americano e Caribenho de Cultura Viva Comunitária Todas as Vozes, enviou mensagem destacando a importância da parceria entre os ministérios. “Mesmo à distância, acompanho com alegria esse importante passo na integração entre cultura e trabalho. Seguimos fortalecendo políticas públicas que reconhecem agentes culturais, ampliam oportunidades e valorizam os saberes populares em toda a sua diversidade”. O Diretor de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares, Tião Soares, ressaltou o alcance histórico da iniciativa. “A parceria entre o Ministério da Cultura e o Ministério do Trabalho e Emprego representa um avanço político, social e histórico decisivo: ao articular a inclusão de mestres e mestras no Cadastro Brasileiro de Ocupações (CBO) e promover frentes de formação específicas junto ao Senac, consolida-se o reconhecimento institucional de conhecimentos tradicionais, assegurando direitos laborais, visibilidade pública e mecanismos permanentes de transmissão desses conhecimentos, além de fortalecer a Política Nacional das Culturas Tradicionais e Populares”. A coordenadora do Ponto de Cultura Estudos e Memória Ancestral Samba de Biloca, Mestra Fernanda Machado, também celebrou o momento e destacou a relevância do reconhecimento dos saberes ancestrais. “Nós carregamos conhecimentos ancestrais que precisam ser respeitados e valorizados. Esse momento abre caminhos para novas gerações continuarem nossa história com dignidade”. Além da oferta de cursos, o protocolo entre MinC e MTE prevê ações voltadas à inserção de mestres e mestras da cultura popular na Rede Sine, além do desenvolvimento de novas estratégias de qualificação profissional para o setor cultural. A medida representa mais um passo na construção de políticas públicas integradas que unem cultura, trabalho e cidadania.
Secretário-executivo do MinC debate o futuro da economia criativa em missão no Reino Unido

Foto: Ascom Minc OSecretário Executivo do Ministério da Cultura (MinC), Márcio Tavares, cumpriu missão oficial em Manchester, no Reino Unido, nos dias 17 e 18 de abril, onde participou do seminário internacional Beyond Growth: Políticas para as Indústrias Culturais e Criativas no Século XXI. O evento, sediado na Universidade de Manchester, foi realizado com o apoio da Fundação Itaú. O encontro foi o marco inaugural de um programa de pesquisa comparativa Brasil–Reino Unido, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), voltado à construção de novas bases para as políticas culturais e criativas no século XXI. Participaram especialistas, acadêmicos e formuladores de políticas públicas para debater temas fundamentais como igualdade, inteligência artificial, transição climática, precarização do trabalho cultural e o futuro das indústrias culturais e criativas (ICCs). O secretário-executivo integrou o painel O que vem a seguir: Igualdade, ICCs e o Futuro (What’s Next: Equality, CCIs and the Future), mediado por Gustavo Moller. A mesa contou também com a participação da deputada federal do Brasil, Carolina Dartora; Katy Shaw, diretora do programa Creative Communities do Arts and Humanities Research Council (AHRC) pela Northumbria University; e Mafalda Damaso, do European University Institute. Márcio Tavares apresentou a visão do governo brasileiro para o setor, destacando o programa Brasil Criativo como uma política pública essencial para o século XXI. O Secretário ressaltou a importância da territorialização e da democratização do fomento cultural, defendendo a compreensão da economia criativa como um ecossistema complexo e interdependente. “As políticas culturais têm uma dupla missão no nosso país. Em primeiro lugar, são um instrumento muito importante para o fortalecimento da democracia. A cultura é um lugar de pluralidade de vozes, de estímulo à criação não só de consenso, mas também de dissensos que possam gerar sínteses importantes. E, de outro lado, é um instrumento fundamental para um país que busca a transição para um modelo de desenvolvimento sustentável”, afirmou. O secretário também destacou a diversidade cultural como base da economia criativa brasileira e a importância de olhar para os territórios. “Temos inúmeros territórios que são culturalmente riquíssimos e ao mesmo tempo são muito empobrecidos. A diversidade cultural precisa ser entendida como a principal potência — o insumo renovável e infinito da criatividade brasileira. Entender essa lógica no centro da construção das políticas é fundamental”, pontuou. “Este evento é o primeiro passo de uma investigação genuinamente comparativa entre o Sul Global e o Norte Global”, afirmou o Dr. Leandro Valiati, Professor em Política das Indústrias Culturais e Criativas da Universidade de Manchester e coordenador do programa. “O que nos une aqui não é apenas o interesse acadêmico, mas a convicção de que a troca de conhecimento entre Brasil e Reino Unido pode gerar contribuições reais e efetivas para a política pública — não mais um relatório que fica na prateleira”. O seminário Beyond Growth promoveu debates em outras frentes estratégicas, como Conceitos, Métodos e Estratégias para as ICCs, Precisamos de um novo marco regulatório para as ICCs? e Educação e ICCs: Como integrar as necessidades das políticas públicas. A agenda de Márcio Tavares em Manchester incluiu, ainda, reunião com a diretora do Manchester Museum, Esme Ward, com quem conversou sobre o giro decolonial do museu, novas abordagens museais e temas de cultura e sustentabilidade. “Foi muito proveitoso poder conhecer estratégias locais e nacionais orientadas a formar novos públicos de museu e a conscientizar as novas gerações acerca da história e da sustentabilidade do nosso planeta”, destacou o secretário-executivo do MinC.
Ibram e CNFCP celebram acordo para ampliação do espaço para acervo do Museu de Folclore Edison Carneiro

Foto: Victor Vec/MinC OInstituto Brasileiro de Museus (Ibram) e o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan) assinaram nesta quinta-feira (23), em Brasília, Termo de Cessão de Uso de uma área nos jardins do Museu da República para ampliação da reserva técnica do Museu de Folclore Edison Carneiro. A instituição abriga o maior acervo de cultura popular do país, com mais de 20 mil itens. “A cultura popular realmente está no cerne da nossa gestão. Ela irradia a identidade nacional. É da cultura popular que vem a inspiração para toda a criação, onde você pode dizer que ali é Brasil. Mas a partir de que memória? Da memória da cultura popular”, salientou a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Em março, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Ibram, entidades vinculadas ao Ministério da Cultura (MinC), assinaram Protocolo de Intenções com vistas à celebração do termo. A presidenta do Ibram, Fernanda Castro, destacou a colaboração entre as instituições e ressaltou a importância do documento firmado no mês passado. “A gente precisa se ajudar, atuar junto. A celebração de hoje vem muito nesse sentido. Foi uma trajetória de muita discussão e debate técnico, penso que a gente chegou a um instrumento que é muito sólido e inquestionável”, comentou. Criado em 1968, o Museu de Folclore Edison Carneiro detém acervo relacionado às manifestações culturais populares e tradicionais brasileiras. Os objetos estão em reservas técnicas e disponíveis para consulta de pesquisadores mediante agendamento. A reserva técnica é um dos espaços prioritários na política de conservação e difusão da informação de um museu, local de guarda e cuidados especiais para a preservação das peças de um acervo. “O CNFCP e o Museu são um oásis que nós temos dentro do Iphan e do Ministério da Cultura, por conta do trabalho realizado, dos resultados, da valorização das culturas populares, mas sobretudo por conta do tema de atuação do museu. Temos ali uma reserva técnica de um espaço que não para de crescer, porque recebemos tanto doações de artistas quanto de colecionadores. O acervo vai sendo incrementado a partir da Sala do Artista Popular, programa que existe há mais de 40 anos. O Centro e o Museu fazem um trabalho maravilhoso”, sublinhou o presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão. O diretor do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, Rafael Barros, ressaltou a significado da assinatura do termo de cessão. “É a maior reserva de cultura popular do Brasil, que resguarda um patrimônio que é simbólico e incomparável. A gente garantir para esse patrimônio a qualidade da salvaguarda, do cuidado, da preservação de um bem é muito importante”, frisou. Também participaram da agenda a ex-diretora do CNFCP, Claudia Márcia Ferreira, e representantes do Ibram e Iphan.
CEUs das Artes e MovCEUs ampliam acesso ao livro e fortalecem a leitura em todo o país

Equipamentos públicos culturais com bibliotecas integradas promovem leitura de forma contínua e ampliam o acesso ao livro em territórios de maior vulnerabilidade socialCompartilhe: Compartilhe por Facebook Compartilhe por Twitter Compartilhe por LinkedIn Compartilhe por WhatsApplink para Copiar para área de transferência Publicado em 23/04/2026 15h14 Foto: Filipe Araújo/ Ascom MinC No Dia Mundial do Livro, celebrado neste 23 de abril, os equipamentos da Rede Territórios da Cultura — como os CEUs das Artes e os MovCEUs — reforçam seu papel na ampliação do acesso à leitura em todo o país. Presentes em territórios com menor oferta de bens e serviços culturais, esses espaços contribuem para aproximar o livro do cotidiano das comunidades. Os CEUs das Artes, equipamentos públicos culturais entregues pelo Governo do Brasil e presentes em diferentes regiões do país, foram concebidos com bibliotecas integradas como parte de sua estrutura. Atualmente, são mais de 300 unidades em funcionamento, todas com potencial para ofertar espaços de leitura. A esse conjunto, somam-se os MOVCEUs, equipamentos itinerantes que levam livros e atividades culturais a localidades onde o acesso é ainda mais restrito. Além disso, o país contará, nos próximos anos, com a entrega de mais 227 CEUs da Cultura, atualmente em construção em todas as regiões. Esses novos equipamentos também preveem bibliotecas integradas, o que significará a ampliação significativa da infraestrutura pública de acesso ao livro e à leitura. Em Pedro Leopoldo (MG), a gestora do CEU das Artes, Ana Paula Villas Costa, acompanha de perto essa transformação e destaca o papel do espaço na aproximação com a leitura. “A biblioteca dentro do CEU das Artes aproxima a comunidade do espaço e da leitura. Ela torna o acesso mais natural e acolhedor, fazendo com que as pessoas se sintam parte do lugar. Mais do que livros, ela fortalece o vínculo com a cultura e com o próprio equipamento”, afirma. Esse vínculo se constrói no cotidiano. Crianças, jovens e famílias passam a frequentar o espaço, muitas vezes em um primeiro contato com livros fora do ambiente escolar. Com isso, a biblioteca passa a integrar a rotina da comunidade. A gestora lembra de um episódio que ilustra essa mudança. Um grupo de estudantes procurou o espaço inicialmente para realizar um trabalho escolar, mas a experiência acabou gerando um impacto duradouro. “A princípio, seria algo pontual, mas o contato com a biblioteca foi tão positivo que despertou o interesse de toda a turma. Hoje, eles são usuários assíduos”, conta. Um espaço que acolhe e transforma Da mesma forma, em Jacobina (BA), a biblioteca do CEU das Artes se consolidou como um ponto de apoio importante para quem busca estudar, ler ou permanecer em um ambiente seguro. A gestora do equipamento, Carolina Maria, observa que o espaço atende diferentes públicos e necessidades, acompanhando a rotina da comunidade. “Vivemos em uma região de vulnerabilidade, e muitos jovens encontram aqui um espaço seguro para estudar e ler. A biblioteca funciona das oito da manhã até às dez da noite, e vemos estudantes utilizando o espaço inclusive no período noturno”, relata. Além disso, o espaço também cumpre um papel relevante na formação de hábitos. Crianças chegam acompanhadas pelas famílias, muitas vezes como alternativa ao uso excessivo de telas, e passam a ter contato com a leitura de forma mais leve e espontânea. Assim, a biblioteca se integra ao cotidiano das famílias e amplia seu alcance no território. Já em São Félix do Xingu (PA), a biblioteca vai além do incentivo à leitura e se consolida também como um espaço de convivência comunitária. Para a gestora do CEU das Artes, Patrícia Olauria, o impacto ultrapassa o âmbito individual e alcança a vida coletiva do território. “A biblioteca no CEU das Artes não é apenas um depósito de livros. Ela é um espaço vivo, que organiza a comunidade em torno do saber e da cultura, promove convivência e fortalece vínculos”, explica. Nesse sentido, segundo ela, o acesso gratuito garante que pessoas de diferentes idades e realidades possam ter contato com o conhecimento sem barreiras. “Ela democratiza o acesso, amplia horizontes e contribui para a formação do senso crítico, que é fundamental para a vida em sociedade”, completa. Leitura integrada ao cotidiano A presença de bibliotecas nos equipamentos da Rede Territórios da Cultura permite que o acesso ao livro aconteça de forma mais próxima da realidade das pessoas. Nos CEUs das Artes, a leitura está integrada às demais atividades culturais, formativas e comunitárias. Na prática, muitas pessoas chegam ao equipamento para participar de oficinas ou atividades e passam a frequentar também a biblioteca. Esse contato cotidiano contribui para a construção do hábito da leitura ao longo do tempo. Além da estrutura física, a atuação do Ministério da Cultura e o apoio do Governo do Brasil são fundamentais para viabilizar o funcionamento desses espaços, especialmente em regiões com pouca oferta de equipamentos culturais. “No nosso caso, o CEU está em uma região que não conta com outras bibliotecas. Levar a leitura até as pessoas, em vez de esperar que elas a procurem, faz toda a diferença”, destaca Ana Paula. Em JAcobina, a composição do acervo também evidencia esse papel. “A maior parte dos livros que temos veio por meio de iniciativas federais. Isso foi essencial para estruturar a biblioteca e manter o espaço ativo”, afirma Carolina. Leitura que circula pelos territórios Se nos CEUs das Artes a leitura acontece de forma permanente, os MovCEUs ampliam esse alcance ao levar livros e atividades culturais diretamente às comunidades. Com estrutura itinerante, esses equipamentos percorrem diferentes territórios e garantem acesso ao livro em locais sem bibliotecas ou espaços de leitura. Em cada parada, o contato com o livro se transforma em experiência: crianças exploram novas histórias, jovens descobrem autores e famílias participam de atividades coletivas. Em Mossoró (RN), o MovCEU integra, ao longo de abril, uma programação voltada ao Dia Mundial do Livro. Entre as ações estão apresentações teatrais, biblioteca itinerante, mediação de leitura e contação de histórias em parque público da cidade, além do encerramento com palestra da escritora Ana Miranda. A expectativa é alcançar cerca de 400